28 Years Later: The Bone Temple é a sequência mais ousada da franquia

28 Years Later: The Bone Temple, a mais nova sequência da franquia de horror que começou com 28 Days Later em 2002, promete ser a mais audaciosa e divisiva até agora. Dirigido por Nia DaCosta e com roteiro de Alex Garland, o filme chega aos cinemas em janeiro de 2026, continuando a história logo após os eventos do filme anterior, lançado em 2025. A produção é relevante porque tenta reinventar a saga com escolhas narrativas e de tom tão arrojadas que, segundo análises iniciais, podem afastar parte do público tradicional, ao mesmo tempo em que abre caminho para um novo futuro para a série.
O longa divide sua narrativa em duas frentes principais, seguindo o personagem Spike, interpretado por Alfie Williams, que é recrutado à força pela gangue excêntrica do psicopata “Sir Lord” Jimmy Crystal, vivido por Jack O’Connell. Enquanto isso, em paralelo, a trama também acompanha o Dr. Ian Kelson, papel de Ralph Fiennes, em sua obsessão pelo estudo do infectado alfa, Samson. Essa estrutura dual, que mantém os arcos separados até um ponto crucial, é um dos principais elementos que diferenciam The Bone Temple dos filmes anteriores, marcando uma guinada filosófica e estética para a franquia.
Mudanças de Tom e Estilo Visual
A ousadia de The Bone Temple se manifesta claramente no tom, que abraça o humor absurdo de forma mais pesada do que seus predecessores, e na estética visual. Nia DaCosta, assumindo a direção de Danny Boyle, abandona os cortes rápidos e dinâmicos que lembravam videogames para adotar closes mais prolongados e contemplativos. Essa abordagem confere um caráter mais humanista ao filme, especialmente nas cenas que exploram a complexa relação entre Kelson e Samson, onde o design de personagem e a atuação de Chi Lewis-Parry se destacam. No entanto, essa mudança de ritmo e a profundidade filosófica das reflexões sobre a infecção e a humanidade representam um risco calculado.
As performances são outro ponto alto, com Jack O’Connell roubando a cena como o vilão carismático e perturbador Jimmy Crystal, cuja inspiração em figuras como Jimmy Savile adiciona uma camada de desconforto à narrativa. Apesar disso, personagens secundários da gangue, como Jimmima (Emma Laird) e Jimmy Ink (Erin Kellyman), ganham nuances que quebram a ideia de um grupo monolítico. Por outro lado, o protagonista Spike acaba um pouco ofuscado por personalidades mais fortes, seguindo uma jornada mais reativa durante grande parte do filme, o que pode ser visto como uma fraqueza narrativa.
Para os fãs que acharam que 28 Years Later parecia apenas a primeira parte de uma história maior, The Bone Temple funciona como uma gratificante continuação que aprofunda o contexto e justifica ações anteriormente consideradas inexplicáveis. O arco do Dr. Kelson, em particular, é descrito como incrível, variando entre momentos hilários, bombásticos e comoventes. Dessa forma, o filme não apenas avança a trama, mas redefine as regras do universo, preparando o terreno para um quinto filme já em desenvolvimento e indicando que a saga está longe de chegar ao fim.








