Por que Pennywise nunca sai de Derry? Segredo revelado em série da HBO muda tudo o que sabíamos

O episódio mais recente da série IT: Welcome To Derry, prequela do sucesso de bilheteria baseada na obra de Stephen King, entregou uma das respostas mais aguardadas e debatidas pelos fãs do horror nas últimas décadas. Exibido neste domingo (16), o quarto episódio, intitulado “The Great Swirling Apparatus of Our Planet’s Function”, mergulhou profundamente na mitologia da entidade cósmica, reescrevendo as regras do jogo. Se você sempre se perguntou por que o monstro devorador de mundos limita seu terror apenas às fronteiras de Derry, Maine, a HBO acaba de confirmar: não é uma escolha, é uma prisão.
A Origem de “The Galloo” e a Prisão Estelar
A narrativa do episódio expande o universo de King de uma maneira que os filmes de Andy Muschietti apenas arranharam a superfície. A trama, ambientada na Guerra Fria, mostra o exército americano em uma busca frenética por uma “arma” que possa garantir a supremacia contra a Rússia. Ironicamente, essa arma é a própria entidade que conhecemos como Pennywise.
Para desvendar os segredos da criatura, os militares capturam Taniel (Joshua Odjick), um nativo americano que vigiava o local da escavação da “Operação Precept”. Através de uma sonda psíquica na mente de Taniel, conduzida por Dick Hallorann (uma figura chave no universo de King, conectando-se a O Iluminado), somos transportados para memórias ancestrais que explicam a contenção da besta.
Descobrimos que a população nativa original de Derry chamava o monstro de “The Galloo”. Diferente da crença popular de que a criatura apenas “pousou” na Terra para se alimentar, o episódio revela que o cometa que trouxe Pennywise à Terra há milhões de anos não era apenas um transporte, mas sua prisão original. Ao colidir, a forma real da entidade — as Luzes da Morte (Deadlights) — foi libertada, mas os destroços daquela “estrela” continham a chave para detê-la.
O Ritual dos 13 Pilares: A Fronteira Sobrenatural de Derry
O ponto de virada na mitologia ocorre séculos atrás, presumivelmente nos anos 1700, quando colonos começaram a invadir a região. Apesar dos avisos dos nativos para evitarem o “Bosque Ocidental” (o campo de caça da criatura), os colonos ignoraram, alimentando a força de Pennywise.
Diante do fortalecimento da entidade, uma jovem nativa chamada Necani (Kiawentiio) liderou um grupo de jovens — um “Clube dos Perdedores” original — para enfrentar o mal. A revelação crucial é técnica e mística: Necani e seus amigos utilizaram fragmentos da “estrela-prisão” que caiu na Terra para forjar uma barreira.
Eles enterraram 13 fragmentos desse material cósmico em um círculo ao redor do Bosque Ocidental. Cada local de enterro foi marcado com fogo, criando o que o episódio chama de “pilares”. Esses pilares, mantidos em segredo e guardados pela tribo, formam uma barreira metafísica intransponível para Pennywise.
Portanto, a série estabelece um novo cânone: as fronteiras atuais da cidade de Derry são delimitadas por esses 13 pilares antigos. Pennywise não sai de Derry para aterrorizar o mundo não por capricho ou por “ter comida suficiente” ali, mas porque ele está literalmente encarcerado por uma tecnologia ritualística antiga derivada de sua própria prisão celestial.
Divergência do Cânone: Stephen King vs. HBO
Esta explicação cria uma divergência fascinante, e potencialmente polêmica, em relação ao material original de Stephen King. No livro IT (A Coisa), não há menção a pilares ou fragmentos de cometa agindo como cercas elétricas sobrenaturais. A literatura de King sugere que Pennywise é uma entidade de poder quase ilimitado no plano terreno, restringida apenas pelas regras do “Macroverso” e pela vontade de Maturin (a Tartaruga), mas não por barreiras físicas em Maine.
No romance, há indícios sutis de que a Coisa pode deixar Derry se desejar. O exemplo mais citado pelos estudiosos da obra é a morte de Richard Macklin, pai abusivo de Eddie Corcoran, que foi encontrado morto em Falmouth, Massachusetts. A cena do crime sugeria fortemente a assinatura de Pennywise, implicando que a entidade viajou para caçar ou manipular eventos fora da cidade.
Além disso, a fuga de Henry Bowers do manicômio Juniper Hill no livro ocorre em uma localização geográfica que, na vida real, fica distante de Derry, sugerindo que a influência da Coisa se estende além das fronteiras municipais. A série da HBO, no entanto, parece retconectar (alterar retroativamente) esses detalhes para criar uma narrativa de “monstro enjaulado”, o que aumenta a urgência da missão do exército em tentar controlar ou libertar essa força.
O Easter Egg da Tartaruga e o Impacto no Medo
Um detalhe que não passou despercebido pelos fãs mais atentos foi a menção visual a uma carapaça de tartaruga contendo um dos fragmentos. No vasto universo de Stephen King, o inimigo natural de Pennywise (A Coisa) é Maturin, uma tartaruga cósmica gigante que, acidentalmente, vomitou o nosso universo. Inserir um fragmento da prisão dentro de uma carapaça de tartaruga é uma referência brilhante à única força capaz de rivalizar com a entidade.
Contudo, a crítica especializada levanta uma questão pertinente sobre o SEO emocional da série: explicar demais o monstro reduz o seu terror?
O Medo do Desconhecido: A eficácia de Pennywise sempre residiu em sua natureza incognoscível. Ele é o medo primal feito carne.
A Humanização do Mal: Ao dar a ele limitações físicas (não pode passar dos pilares) e fraquezas materiais (pode ser ferido por pedras do cometa), a série corre o risco de transformar um horror cósmico lovecraftiano em apenas mais um “alienígena perigoso” que pode ser gerenciado.
Se a solução para vencer Pennywise for apenas “encontrar uma faca feita do cometa certo”, a jornada psicológica de superar os próprios medos — o tema central de IT — pode perder força narrativa em favor de uma busca por “MacGuffins” mágicos.
O Que Isso Significa Para o Futuro da Franquia?
Com a série se passando décadas antes dos filmes IT: A Coisa (2017) e IT: Capítulo Dois (2019), a existência desses pilares levanta questões sobre a continuidade. Sabemos que nos anos 80 e em 2016 (linha do tempo dos filmes), o Clube dos Perdedores não precisou lidar com pilares ou fragmentos de cometa para derrotar o palhaço.
Isso sugere duas possibilidades para o desfecho de Welcome To Derry:
A Falha da Prisão: O exército ou os eventos da série podem acabar destruindo ou removendo esses pilares, o que explicaria por que essa mitologia não é mencionada no futuro.
O Esquecimento: Assim como o esquecimento é uma arma de Pennywise, talvez o conhecimento sobre como aprisioná-lo tenha sido perdido propositalmente para proteger as futuras gerações do fardo.
A série continua a ser exibida aos domingos na HBO e Max, prometendo conectar essas pontas soltas antes de chegarmos à fatídica chuva que trará Georgie e seu barquinho de papel ao encontro do bueiro.









