Ubisoft classifica Assassin’s Creed Shadows e Mirage como jogos ‘Quad-A’

A Ubisoft está novamente no centro de uma polêmica sobre classificação de jogos. Neste início de 2026, a empresa voltou a usar o termo ‘quad-A’ para descrever títulos de sua franquia principal. A revelação veio através do perfil no LinkedIn da produtora da empresa, Krasimira Yakovlieva, que descreveu seu trabalho em ‘Assassin’s Creed Shadows’ e ‘Assassin’s Creed Mirage’ como desenvolvimento ‘AAAA’. Isso aconteceu ao longo do ano passado e continuou até recentemente, quando o perfil foi editado após as críticas nas redes sociais. A situação é relevante porque reacende o debate sobre marketing e expectativas na indústria, especialmente após o fracasso crítico e comercial de ‘Skull and Bones’, que a própria Ubisoft prometeu ser o primeiro ‘quad-A’ do mundo.
Como isso veio à tona? Prints do perfil de Yakovlieva começaram a circular online, mostrando que ela chamou ‘Shadows’ de ‘o primeiro título AAAA de nova geração lançado nativamente no macOS’. Da mesma forma, ela descreveu ‘Mirage’ como ‘o primeiro título AAAA lançado nativamente no iPhone e iPad’. No entanto, devido à reação negativa do público, que ainda lembra das promessas não cumpridas com ‘Skull and Bones’, a descrição foi rapidamente removida. Dessa forma, fica claro que a empresa usa o termo internamente, mas evita o desgaste público.
O que significa ‘Quad-A’ na prática?
A insistência da Ubisoft em criar uma categoria acima do ‘triple-A’ padrão gera mais confusão do que clareza. No entanto, a escolha pelos jogos da saga Assassin’s Creed não é aleatória. ‘Shadows’, lançado em 2025, foi um sucesso comercial e de crítica, liderando as vendas em seu ano de lançado. Por outro lado, ‘Mirage’ teve uma recepção mais morna, sendo visto por muitos como uma expansão de ‘Valhalla’ adaptada para ser um jogo próprio. Portanto, chamar ambos de ‘quad-A’ soa como um exagero de marketing, aumentando a pressão sobre os desenvolvedores e as expectativas dos jogadores de forma desnecessária.
Internamente, é provável que o termo sirva para designar os projetos de maior orçamento e prioridade absoluta dentro do estúdio, que são, quase sempre, os jogos da franquia Assassin’s Creed. Apesar disso, para o público e a imprensa, todos os grandes lançamentos de estúdios como Ubisoft, EA e Activision já se encaixam perfeitamente na categoria ‘triple-A’. Dessa forma, a tentativa de se diferenciar soa artificial. A rápida retirada do termo do perfil da produtora mostra que, no mundo pós-Skull and Bones, a Ubisoft sabe que essa é uma batalha de percepção que ela não vai vencer.
No fim das contas, o que importa para o jogador brasileiro é a qualidade da experiência, e não o rótulo de marketing. Com ‘Assassin’s Creed Shadows’ consolidado como um sucesso, o foco da Ubisoft para o futuro da franquia deve ser em entregar histórias envolventes e mundos ricos, sem depender de classificações exageradas. Afinal, um jogo bom se sustenta por seus próprios méritos, não por letras a mais em uma sigla.









