Jogo gratuito da Steam será removido para sempre em 17 dias

Hardest, um jogo de cartas roguelike gratuito lançado em 2025, será permanentemente removido da Steam no dia 30 de janeiro de 2026. O desenvolvedor independente Eero “Raukel” Laine anunciou a decisão, expressando um profundo arrependimento por ter utilizado inteligência artificial para gerar os ativos visuais do projeto. Essa ação, que reflete um debate crescente na indústria, transforma o título em um caso emblemático dos dilemas éticos que cercam o uso de IA no desenvolvimento de jogos.
A decisão partiu do próprio criador, que publicou um comunicado direto na página do jogo na plataforma da Valve. Em sua mensagem, intitulada “IA é ruim, jogo será deletado 30.1”, Raukel explica que, apesar de ter programado toda a lógica do jogo sozinho, o uso de imagens geradas por IA o levou a considerar a existência do projeto uma “desgraça”. Ele argumenta que a tecnologia, frequentemente vista como uma ferramenta gratuita e acessível, na verdade tem um custo significativo para a economia e o meio ambiente, além de poder ser usada por grandes empresas para justificar mais investimentos em um setor que, em sua visão, extrai recursos sem benefício real.
O jogo, que permite aos jogadores “parar o tempo, invocar tsunamis e alimentar cartas em um mimic”, segundo sua descrição oficial, mantinha uma avaliação “Mista” na loja, com 36 análises de usuários. Enquanto alguns o criticavam como “lixo de IA”, outros elogiavam sua jogabilidade relaxante. No entanto, essa divisão de opiniões não foi suficiente para manter o título online. Raukel finalizou seu anúncio agradecendo a uma pessoa específica: “A garota com quem tenho saído há um mês me fez perceber isso. Obrigado, Eero Laine.”
O debate sobre IA ganha um novo capítulo
O caso do Hardest vai além de um simples jogo sendo removido. Ele se torna um símbolo tangível de uma discussão complexa que permeia a cena de desenvolvimento independente. Por um lado, a IA oferece ferramentas poderosas que democratizam a criação, especialmente para desenvolvedores solos ou com orçamentos limitados. Por outro lado, como ilustrado por Raukel, surgem questões sobre originalidade, impacto ambiental dos grandes modelos e a desvalorização do trabalho artístico humano.
As reações na seção de comentários do anúncio na Steam espelham essa polarização. Alguns apoiaram a postura ética do desenvolvedor, enquanto outros lamentaram a perda de um jogo funcional e questionaram o radicalismo da decisão. Dessa forma, a remoção programada para o final deste mês não apaga apenas um título do catálogo, mas acende um debate crucial sobre os caminhos e os custos da inovação na indústria de games, que continuará a ecoar muito depois do dia 30 de janeiro.









