Dragon Ball: Personagens ‘inúteis’ são vítimas da escalada de poder da franquicia

Uma discussão recorrente entre os fãs da franquia Dragon Ball ganha novo fôlego neste início de 2026, questionando a utilidade de personagens icônicos dentro da narrativa. O debate, que circula por fóruns e redes sociais, não questiona a qualidade dos personagens, mas sim seu impacto prático nas sagas mais recentes. Isso acontece devido à rápida e extrema escalada de poder que caracteriza o universo criado por Akira Toriyama, um fenômeno que, ao elevar continuamente o nível das ameaças, acaba por relegar muitos nomes carismáticos a funções coadjuvantes ou de simples apoio emocional.
Dessa forma, figuras centrais como Gohan e Piccolo, ou até mesmo uma entidade divina como Bills, encontram-se em uma posição narrativa peculiar. Enquanto alguns possuem um histórico de força, outros detêm poder absoluto, mas a trama frequentemente os coloca à margem dos conflitos decisivos. O resultado é uma sensação de ‘inutilidade funcional’, onde personagens queridos pelo público assistem, treinam ou dão apoio, mas raramente definem o desfecho das batalhas épicas que movimentam o enredo.
O peso das expectativas e o desenho do universo
O caso de Gohan é um dos mais emblemáticos, pois ilustra perfeitamente essa dinâmica. Após um momento de glória absoluta durante a saga Cell, o personagem entrou em um ciclo de altos e baixos que frustra muitos fãs. Por isso, ele se tornou um símbolo da promessa não cumprida, sempre à beira de retomar seu lugar de destaque, mas frequentemente contido pelo roteiro. Piccolo, por outro lado, sofre de um mal diferente: sua sabedoria e força são inquestionáveis, no entanto, suas contribuições cruciais geralmente se limitam a ganhar tempo, treinar os protagonistas ou oferecer suporte tático, enquanto o golpe final fica reservado para os Saiyajins.
Já os guerreiros humanos, como Ten Shin Han, enfrentam uma barreira ainda mais intransponível. Apesar de sua determinação e técnicas únicas, a disparidade de poder os colocou em uma posição onde suas participações heroicas muitas vezes terminam em sacrifícios nobres, mas sem alterar o curso principal da guerra. Bills, o Deus da Destruição, apresenta uma ironia narrativa única: ele é tão poderoso que sua intervenção direta quebraria qualquer tensão dramática. Como resultado, o roteiro o mantém deliberadamente inativo, transformando-o em um espectador de luxo, mais interessado em comida do que em salvar universos.
Reconhecendo as regras do jogo
Analisar essa ‘inutilidade’ não significa desmerecer a construção desses personagens, que são fundamentais para o coração e o humor da série. Na verdade, é um reconhecimento das regras internas do mundo de Dragon Ball. A narrativa, especialmente a partir de Dragon Ball Z, optou por focar em uma corrida desenfreada por níveis de poder, concentrando os holofotes em Goku, Vegeta e, eventualmente, Broly. Dessa forma, aceitar que muitos personagens se tornaram ‘público’ é entender a mecânica da franquia, onde o treinamento e a determinação, por vezes, são superados pela necessidade do roteiro de eleger seus heróis principais a cada nova saga.








