Como o cinema foi refúgio e reflexão em 2025, segundo críticos

Cinema serviu como um refúgio e uma ferramenta de reflexão para nove escritores e críticos em 2025, um ano marcado por notícias nacionais difíceis e um cenário global desafiador. A equipe do site Tone Madison, com base em Madison, nos Estados Unidos, dedicou-se a processar esses tempos turbulentos por meio da sétima arte, tanto nos cinemas quanto em casa. Com a data de hoje sendo sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, essa retrospectiva ganha ainda mais relevância, pois olha para o ano que passou enquanto projeta preocupações e esperanças para o futuro da indústria cinematográfica. A relevância do tema é global, mas ressoa profundamente no Brasil, onde o público também busca no entretenimento uma forma de lidar com a realidade e onde a saúde das salas de cinema é uma preocupação constante.
O grupo, formado por nomes como Lewis Peterson, Edwanike Harbour e Grant Phipps, entre outros, argumenta que o cinema oferece um meio vital para processar o momento histórico atual. Dessa forma, a arte pode iluminar um caminho a seguir, mesmo em meio à instabilidade. Enquanto isso, o texto original revela que, apesar do terreno instável para o cinema, 2025 trouxe notícias encorajadoras em Wisconsin, com a criação de um escritório estadual de cinema e incentivos fiscais para produção. No entanto, a sensação predominante entre os colaboradores é de apreensão com o futuro das salas de cinema, a ascensão de ferramentas de IA e a consolidação do poder nas mãos de poucas plataformas de streaming.
Entre listas de favoritos e a crise das salas
As reflexões do grupo vão além da simples listagem de filmes favoritos, mergulhando nas experiências desordenadas e emocionantes de ir ao cinema. Lewis Peterson, por exemplo, destaca o filme “Resurrection”, de Bi Gan, como seu número um do ano, enquanto compartilha listas extensas de produções novas e clássicas que o fizeram “se sentir insano e, portanto, vivo”. No entanto, ele expressa preocupação com o estado “terrível” da indústria, citando a infiltração forçada de “bobagens de IA” e a consolidação de distribuidoras. Por outro lado, ele celebra a expansão das sessões organizadas pela locadora Four Star Video para teatros e bares locais, mostrando uma resistência cultural de base.
Vários críticos ecoam o pessimismo em relação ao futuro das salas de cinema tradicionais. Edwanike Harbour teme que a experiência semanal no cinema se torne rara, enquanto David Boffa lamenta a falta de uma sala de arte dedicada em Madison, sentindo a perda de um cinema como o antigo Sundance Cinemas. Jason Fuhrman, no entanto, encontra esperança na programação de repertório da Cinematheque da Universidade de Wisconsin e em sua própria série mensal de filmes alternativos, a Cinesthesia, na biblioteca pública. Dessa forma, a comunidade local tenta preencher as lacunas deixadas pelo mercado.
Obras que marcaram e a busca por conexão
Entre os filmes mais citados como os melhores de 2025 estão “One Battle After Another”, de Paul Thomas Anderson, “Sentimental Value”, de Joachim Trier, e “The Mastermind”, de Kelly Reichardt. Muitas dessas produções, segundo Sara Batkie, carregavam fios de ansiedade política e social, mesmo quando não eram explicitamente sobre o tema. Apesar das críticas a um ano considerado por alguns como “medíocre” para os lançamentos principais, as experiências de cinema compartilhadas foram valorizadas. Jesse Raub descreve a magia de assistir “The Secret Agent” em uma sala lotada da Cinematheque, com o público reagindo a referências culturais brasileiras, destacando o poder da exibição coletiva.
O artigo fecha com perspectivas pessoais que vão desde o luto pela perda de David Lynch até descobertas casuais impulsionadas pelo TikTok, como mostra a contribuição de Hanna Kohn. A conclusão geral é um misto de realismo e resiliência. Apesar das nuvens escuras no horizonte da indústria – com fusões, streaming e IA –, o ato de ver filmes, especialmente em comunidade, permanece como uma fonte vital de processamento, conexão humana e, simplesmente, de sentir-se vivo. O desafio, portanto, é preservar os espaços e os hábitos que permitem que essa magia aconteça, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.








