Artistas de mangá deixam de postar arte no X após recurso de IA

Em uma reação a novas políticas de inteligência artificial da rede social X, artistas renomados do mundo do mangá decidiram parar de compartilhar suas ilustrações na plataforma. O principal nome é o ilustrador Boichi, famoso por seu trabalho na série Dr. Stone, que anunciou a pausa na publicação de suas artes e quadrinhos no X no dia 25 de dezembro do ano passado. A decisão, que ganhou força neste início de 2026, tem como causa direta o lançamento de uma nova ferramenta de edição de imagens por IA, o que levou os criadores a temerem pelo uso não autorizado de seu trabalho para treinamento de algoritmos. Por isso, eles migram suas artes para outras redes, como Instagram e Bluesky, buscando maior controle sobre sua propriedade intelectual.
Como resultado dessa mudança, os fãs terão que seguir os artistas em outras plataformas para ver suas ilustrações originais. Boichi, no entanto, deixou claro que não está abandonando completamente o X, onde continuará compartilhando notícias e interagindo. Além dele, outros criadores, como Kei Urana (Gachiakuta) e Mokumokuren (The Summer Hikaru Died), também reduziram drasticamente ou pararam de postar arte na rede de Elon Musk. A questão central, portanto, não é um boicote total, mas uma proteção estratégica do patrimônio criativo em um cenário digital ainda nebuloso.
O debate sobre direitos autorais na era da IA
O cerne da discussão, que se intensifica em 2026, é legal. A ferramenta de IA do X gera imagens derivadas, o que especialistas apontam como uma potencial violação de direitos autorais. Grant Smith, um advogado consultado pela reportagem original, explica que a renderização por IA é um trabalho derivado e, assim, provavelmente infringe os direitos do artista. No entanto, os tribunais ainda estão construindo jurisprudência sobre o tema. Um caso emblemático, citado por Smith, envolve autores de Game of Thrones processando a OpenAI e a Microsoft, com a ação seguindo adiante na justiça americana desde outubro passado. Dessa forma, uma decisão favorável aos autores poderia criar um precedente crucial para artistas de todo o mundo.
A rede social X, por sua vez, mantém em seus termos de serviço um canal para reportar infrações de copyright. Embora essa abertura seja vista como uma medida de responsabilidade corporativa, a eficácia real do processo contra violações massificadas por IA ainda é uma grande incógnita. Enquanto isso, a migração dos artistas para o Bluesky e Instagram mostra uma busca prática por ambientes percebidos como mais seguros. O movimento iniciado no final de 2025 serve como um sinal claro para a indústria: a relação entre criação humana e inteligência artificial exigirá novos acordos e, muito possivelmente, novas batalhas judiciais ao longo deste ano.









