Criador de Demon Slayer revela segredos do sucesso bilionário do anime

Hikaru Kondo, o fundador do estúdio japonês Ufotable, revelou em entrevista exclusiva os bastidores da criação de ‘Demon Slayer: Infinity Castle’, o filme que se tornou o maior sucesso japonês de todos os tempos. Com estreia mundial no final de 2025, a produção já arrecadou impressionantes US$ 722 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões) nas bilheterias globais, consolidando o anime como uma força dominante no cinema internacional. Esse fenômeno ocorre em um momento crucial, enquanto Hollywood busca desesperadamente uma estratégia para competir no mercado de animação japonesa, que conquistou o público brasileiro de forma massiva.
O sucesso estrondoso, que incluiu uma indicação ao Globo de Ouro e gerou especulações sobre o Oscar, deve-se a um método de produção único e artesanal. Kondo explicou que a Ufotable mantém uma equipe fixa de cerca de 300 artistas, todos trabalhando de forma colaborativa e interna, o que permite um controle criativo absoluto sobre cada frame. Dessa forma, o estúdio conseguiu traduzir para as telas o complexo ‘Castelo Infinito’ do mangá, um ambiente psicodélico e desafiador que se tornou o palco do confronto final da saga.
O Segredo Por Trás da Animação Perfeita
Durante a conversa, Kondo detalhou o processo criativo que prioriza a experimentação humana em detrimento de orçamentos inflados. “Nossa abordagem fundamental não mudou”, afirmou o produtor. “Começamos com uma ideia visual, fazemos um storyboard e entramos em um ciclo de tentativa e erro.” Esse método meticuloso, onde uma única cena pode passar por dezenas de revisões, é o responsável pela fusão perfeita entre animação 2D tradicional e elementos em CG que impressionou fãs e críticos. Apesar dos rumores de um orçamento de US$ 20 milhões para o primeiro filme, Kondo se recusou a confirmar valores, mas brincou ao sugerir que, seguindo a lógica de Hollywood, a sequência mereceria um investimento muito maior.
O fundador da Ufotable também refletiu sobre a transformação da indústria de anime, que há duas décadas operava com condições muito mais difíceis. Para ele, a maior conquista não é o recorde de bilheteria, mas a sustentabilidade do negócio e a retenção de talentos que cresceram com a empresa. Sobre o futuro, Kondo admitiu receber constantes propostas de co-produção de estúdios de Hollywood, mas garantiu que qualquer projeto será analisado com o mesmo critério artístico de sempre: o que trará mais prazer ao público. Com mais dois filmes da trilogia ‘Infinity Castle’ a caminho, a revolução do anime no cinema global, impulsionada por esse meticuloso trabalho artesanal, está apenas começando.









