Criador de Evangelion defende: anime é só para japoneses, diz Anno

Hideaki Anno, o lendário criador de Neon Genesis Evangelion, lançou uma declaração polêmica no início de 2026 que promete esquentar os debates no mundo do entretenimento. Em uma entrevista à Forbes Japan, o diretor e roteirista criticou abertamente a onda de produções de anime feitas para agradar ao público internacional. Anno defende que o foco principal deve estar sempre na sensibilidade japonesa, e cabe ao espectador estrangeiro se adaptar a esse contexto cultural. Com previsão de impacto duradouro, sua fala surge justamente quando sucessos como Kimetsu no Yaiba e Chainsaw Man faturam bilhões globalmente, levantando questões sobre a autenticidade da indústria.
A visão de Anno, portanto, vai na contramão de uma tendência crescente. Enquanto isso, gigantes como a Disney+ e grandes estúdios buscam ampliar seu alcance com conteúdos mais palatáveis para o ocidente, o mestre por trás de Evangelion permanece firme. Ele destaca a influência de seu mentor, Hayao Miyazaki, que sempre criou obras fiéis à sua visão pessoal, sem se preocupar excessivamente com a aceitação do público. Dessa forma, Anno acredita que comprometer nuances de linguagem e cultura pode fazer o anime perder sua identidade única, um risco que ele não está disposto a correr.
O legado de Miyazaki e a identidade cultural
A filosofia defendida por Hideaki Anno não surge do nada. Ela é, na verdade, um reflexo direto do aprendizado com Hayao Miyazaki, um pioneiro que nunca moldou sua arte para agradar plateias externas. Por isso, Anno vê com preocupação a globalização comercial do anime. Para ele, a essência do medium está intrinsecamente ligada ao Japão, e diluir isso é um erro grave. No entanto, é inegável que o mercado internacional se tornou um pilar financeiro crucial para a indústria, o que cria um dilema complexo para os criadores.
Mas será que essa visão tradicionalista ainda faz sentido em 2026? O anime já é um fenômeno de massa consolidado no Brasil e no mundo, com fãs que consomem a cultura japonesa avidamente. Apesar disso, a fala de Anno serve como um importante lembrete sobre a preservação cultural. O debate que ele reacendeu promete influenciar não apenas discussões online, mas também as decisões criativas dentro dos estúdios nos próximos anos. Assim, o início de 2026 fica marcado por esta reflexão profunda sobre o futuro de uma das maiores exportações culturais do Japão.









