Elizabeth Smart reconta sequestro em documentário da Netflix

Elizabeth Smart, sobrevivente de um dos sequestros mais notórios dos Estados Unidos, compartilha sua jornada de superação no documentário “Kidnapped: Elizabeth Smart”, que chega à Netflix neste início de 2026. Aos 14 anos, em 2002, ela foi raptada de sua casa em Salt Lake City por Brian David Mitchell, um pregador de rua que sua família havia contratado para serviços eventuais. Durante nove meses, Elizabeth sofreu abusos sexuais diários até ser resgatada por policiais em Sandy, Utah, graças a testemunhas que a reconheceram. Mais de duas décadas depois, o filme revive o caso com precisão gráfica, mas o foco principal é a mensagem de esperança e a vida normal que a hoje mãe de três filhos construiu.
Com uma perspectiva notavelmente positiva, Elizabeth afirma no documentário que existem finais felizes mesmo após traumas profundos. Ela espera que sua história mostre aos espectadores que é possível ter uma vida maravilhosa depois de eventos terríveis. Atualmente com 38 anos, casada com o escocês Matthew Gilmour e morando ainda em Utah, Elizabeth transformou sua experiência em um propósito de vida: mudar a conversa sobre violência sexual e apoiar outros sobreviventes. Por isso, ela fundou uma organização que oferece desde apoio emocional até ajuda financeira para custos médicos e moradia.
Vida familiar e legado de resiliência
A maternidade trouxe uma nova camada de significado para a vida de Elizabeth, que agora cria seus três filhos com uma consciência aguçada sobre segurança. Ela é intencional sobre com quem as crianças interagem e evita dormidas fora de casa, promovendo conversas abertas sobre partes do corpo sem associar vergonha. Enquanto isso, seu pai, Ed Smart, que foi brevemente investigado no caso mas foi crucial para o resgate, continua seu ativismo por leis de segurança. A irmã mais nova, Mary Katherine, testemunha do sequestro, é descrita por Elizabeth como sua heroína, uma educadora especial que a “coloca no seu lugar”.
Quanto aos criminosos, Brian David Mitchell cumpre prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional desde 2010. Wanda Barzee, cúmplice, foi solta em 2018 mas foi presa novamente em 2025 por violar os termos de registro como agressora sexual. Elizabeth expressa desapontamento com a soltura, no entanto, essa experiência também lhe deu compaixão pelas vítimas que vivem com medo constante de seus agressores. Dessa forma, sua trajetória de sequestrada a defensora de sobreviventes mostra uma resiliência que inspira, provando que a normalidade — jantares em família, filmes em casa e viagens à cabana — pode ser, em si, um triunfo monumental.









