Heated Rivalry: por que a série virou febre e o que isso diz sobre nós em 2026

Heated Rivalry, a série canadense baseada nos livros de Rachel Reid que chegou ao HBO Max, tomou conta das conversas e algoritmos no início de 2026, transformando-se em um fenômeno cultural. A produção, que acompanha a relação secreta entre dois jogadores profissionais de hóquei no gelo, conquistou o público não apenas pelas cenas de sexo, mas por explorar uma experiência humana universal: o desejo intenso, ou o “yearning”. Segundo a escritora e editora da Popsugar, Emma Glassman-Hughes, em entrevista ao podcast Explain It to Me da Vox, o sucesso da série reflete um momento coletivo onde as pessoas buscam conexão e significado em meio a um mundo desafiador.
Com uma narrativa que mistura romance proibido, vulnerabilidade masculina e muito drama esportivo, a série cativou especialmente o público LGBTQIA+ brasileiro, que se viu representado em histórias de afeto complexas. A especialista argumenta que o fenmeno vai além da tela, manifestando-se também em tendências comportamentais, como a moda do TikTok que incentiva as pessoas a buscarem “mil rejeições” em 2026 como forma de crescimento pessoal. Dessa forma, o sucesso de Heated Rivalry funciona como um espelho dos anseios e da busca por autenticidade que marcam o atual momento.
O desejo como força motriz na cultura pop
Emma Glassman-Hughes defende que o desejo intenso retratado na série é mais do que uma fuga da realidade. Em um cenário de notícias frequentemente angustiantes, ela enxerga o “yearning” como uma força de grounding, uma experiência corporal humana que, apesar da dor da ausência, também gera uma espécie de prazer masoquista. “Todos precisamos de mais alegria em nossas vidas agora”, afirmou a especialista, conectando o fascínio pela série a uma necessidade emocional mais ampla. Além disso, ela destaca que a série se sobressai ao mostrar homens queer não apenas como objetos de desejo, mas como agentes ativos de seu próprio anseio, uma perspectiva ainda rara na mídia.
Por outro lado, a escritora aponta uma carência de representações semelhantes focadas no desejo feminino e queer em sua forma mais visceral. “Vejo muitas representações de mulheres que desejam passivamente, mas não daquele desejo de nível gutural”, comentou, referindo-se a sua crônica publicada na Popsugar. Para ela, 2026 pode ser o ano de ver mais histórias que mostrem a tempestade e o vidro quebrado do desejo feminino, indo além do tom apenas nostálgico ou suave. Essa análise sugere que o apelo de Heated Rivalry pode abrir portas para narrativas mais ousadas e diversas no futuro do entretenimento.
O fenômeno da série, portanto, transcende o gênero romance e se estabelece como um sintoma cultural significativo. Ele revela um público ávido por histórias que validem a complexidade das emoções humanas, especialmente em um momento pós-pandemia onde a conexão e a vulnerabilidade foram reavaliadas. Dessa forma, o sucesso estrondoso da adaptação no streaming não é um acidente isolado, mas um reflexo claro dos humores e desejos que definem o ano de 2026.









