Nadja, filme de vampiros produzido por David Lynch, ganha restauração em 4K

David Lynch, o lendário diretor de filmes como “Cidade dos Sonhos” e a série “Twin Peaks”, tem um motivo a mais para comemorar seu aniversário em 2026. Isso porque “Nadja”, um filme de vampiros que ele salvou do esquecimento ao bancar a produção do próprio bolso em 1994, está prestes a retornar aos cinemas. A notícia, divulgada nesta sexta-feira (23), revela que uma restauração em 4K do corte original do diretor Michael Almereyda chegará às salas em fevereiro, começando pelo BAM, em Brooklyn, no dia 6. O fato é relevante por resgatar uma obra cult pouco conhecida, que mistura o surrealismo com o cinema noir em preto e branco, e que só existe graças à intervenção financeira decisiva de Lynch.
O longa, que é uma releitura surrealista de “A Filha de Drácula” (1936) misturada com o romance de André Breton, acompanha a vampira Nadja (Elina Löwensohn) em Nova York. A trama se desenrola após a morte de seu pai, Drácula, nas mãos do Dr. Van Helsing (Peter Fonda). No entanto, a produção quase não saiu do papel. Devido a problemas de financiamento e à desistência de um ator crucial, o projeto estava prestes a ser cancelado. Foi então que David Lynch, que também faz uma ponta no filme, decidiu intervir de forma heroica. O cineasta, compreendendo a visão artística de Almereyda, pagou do próprio bolso para que as filmagens, que usaram preto e branco como medida de economia, fossem concluídas.
A nova versão que chega agora é, na verdade, o corte original do diretor, três minutos mais longo que aquele lançado comercialmente nos anos 90. A restauração digital foi feita a partir do negativo de 35mm que estreou no Festival de Toronto em 1994. Dessa forma, os fãs de cinema de arte e dos trabalhos mais obscuros de Lynch terão a chance única de ver a obra como ela foi idealizada, com toda a sua estética “deadpan noir” e experimentações visuais, que inclusive mesclam filmagem tradicional com vídeo Pixelvision.
Um legado de colaboração e surrealismo
Em declarações que acompanham o relançamento, o diretor Michael Almereyda ainda expressa surpresa com a generosidade de Lynch. Ele revela que o projeto nasceu depois que um roteiro sobre Edgar Allan Poe se mostrou inviável. Lynch, então, incentivou Almereyda a seguir com “Nadja”, entendendo que o filme era uma colagem surrealista, uma espécie de “cadáver esquisito” cinematográfico. A produção, inspirada também pela agilidade de Roger Corman, foi filmada de forma rápida e barata, em poucas locações. O elenco ainda contava com nomes como Suzy Amis, Martin Donovan e Jared Harris, que interpreta o irmão gêmeo da vampira protagonista.
O relançamento de “Nadja” em 2026 serve como um lembrete do impacto que figuras consagradas podem ter ao apoiar vozes independentes. Sem a intervenção financeira de David Lynch, esta curiosa mistura de vampirismo, surrealismo e cinema noir poderia ter se perdido para sempre. Agora, quase 32 anos após sua estreia, a obra ganha uma segunda vida em alta definição, permitindo que novas gerações de cinéfilos no Brasil e no mundo descubram este pedaço peculiar da filmografia ligada ao mestre do estranho.









