Protestos no Roblox reacendem debate sobre segurança infantil em games

Roblox, a gigante plataforma de jogos online, tornou-se palco de protestos virtuais em janeiro de 2026, reacendendo uma discussão crucial sobre a segurança de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Os jogadores, principalmente no Brasil, organizaram manifestações dentro do jogo contra novas regras de chat que exigem verificação de idade com reconhecimento facial e restringem a comunicação a usuários da mesma faixa etária. Essa mudança, implementada globalmente no dia 7 de janeiro, visa proteger os jovens de interações perigosas com adultos desconhecidos, mas gerou uma onda de insatisfação entre parte da comunidade.
Os protestos, que viralizaram nas redes sociais, mostram avatares segurando cartazes com frases de ordem e erros de grafia, como “Quero injustiça” e “justissa pela gente”. Muitos manifestantes atribuem a mudança à pressão do influenciador digital Felca (Felipe Bressanim), que pautou o debate público sobre a adultização de crianças nas plataformas. No entanto, a empresa afirma que a medida é uma resposta a preocupações de segurança de longa data. Enquanto isso, especialistas e pais se dividem entre a necessidade de proteger os jovens e o direito à interação social no ambiente virtual.
O dilema entre segurança e liberdade
A nova política do Roblox representa uma mudança significativa em sua operação. Antes, a plataforma permitia comunicação direta entre todos os usuários, independentemente da idade, o que levantou sérias preocupações sobre riscos como grooming, bullying e exploração sexual. Agora, com o sistema de verificação facial, a empresa busca criar barreiras mais eficazes. Matt Kaufman, chefe de proteção da Roblox, afirmou à Folha que a tarefa de capturar criminosos é das autoridades, cabendo à plataforma encaminhar denúncias e garantir o cumprimento das regras da comunidade.
Apesar da justificativa de segurança, os protestos revelam a complexidade de se inserir dinâmicas de redes sociais em ambientes infantis. Crianças e adolescentes, acostumados com a liberdade de interação, sentem-se censurados. Por outro lado, pais e especialistas em proteção infantil defendem que os riscos superam os benefícios de um chat totalmente aberto. A questão central, portanto, vai além de um simples “chilique mirim”: ela envolve o equilíbrio delicado entre autonomia digital e proteção, um desafio que todas as plataformas com público jovem enfrentam em 2026.
O caso do Roblox serve como um termômetro para o futuro da moderação de conteúdo em games sociais. À medida que essas plataformas evoluem, tornando-se cada vez mais parecidas com redes sociais, a pressão por medidas de segurança robustas só tende a aumentar. A adaptação às novas regras e a eficácia delas em criar um ambiente genuinamente mais seguro serão observadas de perto nos próximos meses. Dessa forma, os “protestos de janeiro” podem marcar um ponto de virada na forma como enxergamos a socialização e a proteção das novas gerações no universo digital.









