Scott Adams, criador de Dilbert, morre aos 68 anos após batalha contra câncer

O mundo dos quadrinhos e da cultura pop perdeu um de seus nomes mais influentes. Scott Adams, o criador da icônica tirinha Dilbert, faleceu nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, após uma intensa batalha contra um câncer de próstata metastático. Aos 68 anos, Adams confirmou publicamente a gravidade de sua doença no início do ano passado, afirmando esperar ‘deixar este mundo em algum momento do verão’. Sua morte, portanto, encerra um capítulo marcante para os fãs que acompanharam por décadas as sátiras ácidas ao mundo corporativo.
O que aconteceu, na verdade, foi a perda de um ícone que moldou o humor sobre escritórios para gerações. Por isso, a notícia ganhou destaque imediato em publicações especializadas, como a Variety. A relevância de Adams é inegável, já que Dilbert foi publicado semanalmente em centenas de jornais e se tornou um verdadeiro fenômeno cultural. Dessa forma, sua partida não é apenas a de um cartunista, mas de um cronista perspicaz do absurdo da vida corporativa moderna.
Como resultado de seu diagnóstico, Adams se abriu com os fãs sobre a doença. ‘Tenho o mesmo câncer que Joe Biden’, ele disse em um comunicado oficial, referindo-se ao presidente americano. ‘Também tenho câncer de próstata que se espalhou para os meus ossos…’. Apesar disso, ele manteve seu projeto vivo e, desde março de 2023, relançou as tirinhas como ‘Dilbert Reborn’ em uma plataforma de assinatura online, após ser retirado da distribuição em muitos jornais dos EUA devido a comentários polêmicos feitos em seu programa.
De programador a lenda dos quadrinhos
A trajetória de Scott Adams é um exemplo clássico de como a experiência pessoal alimenta a arte. Antes de virar um cartunista em tempo integral, ele trabalhou em um banco e como programador de computadores na Pacific Bell. Foi justamente essa vivência nos corredores e cubículos que deu vida a Dilbert, seu personagem mais famoso. Lançada em 1986, a tirinha rapidamente capturou o espírito da época e, em 1994, já era publicada em mais de 400 jornais. Graças a esse sucesso avassalador, Adams deixou o emprego convencional em 1995 para se dedicar apenas aos quadrinhos.
No entanto, seu legado vai muito além das páginas dos jornais. Dilbert ganhou vida como uma série de TV animada, que foi ao ar por duas temporadas e até recebeu indicações ao Emmy. Atualmente, essa adaptação está disponível para streaming no catálogo da Netflix. Além disso, o personagem se tornou sinônimo de crítica inteligente ao ambiente de trabalho, rendendo a Adams prêmios importantes, como o Reuben Award da National Cartoonists Society em 1997. Em outras palavras, ele consolidou um gênero próprio de humor que ainda encontra eco nos dias de hoje.
O futuro do universo Dilbert, agora sob a gestão de sua equipe e escola, ainda é uma incógnita. Ainda assim, o vasto material já produzido – de livros como ‘O Princípio de Dilbert’ às tirinhas digitais – garante que seu sarcasmo e visão única permaneçam vivos. Para o público brasileiro, acostumado a consumir seu humor tanto nos quadrinhos quanto na série, a perda é significativa. Portanto, a obra de Scott Adams segue como um testemunho atemporal dos dilemas, frustrações e absurdos que todos nós, em algum momento, enfrentamos no trabalho.









