Diretor de SAO: anime supera Hollywood, mas ‘globalização’ é risco

Tomohiko Itō, o diretor por trás do fenômeno Sword Art Online, acredita que o anime japonês está superando Hollywood em poder de atração global em 2026, especialmente após a greve dos roteiristas e os efeitos da pandemia. No entanto, em uma entrevista recente ao Daily Shincho, ele fez um alerta importante: focar demais em agradar audiências internacionais pode, muitas vezes, levar ao fracasso. Sua declaração chega em um momento crucial, já que grandes empresas japonesas, como a Toho, continuam a adquirir distribuidoras estrangeiras, consolidando a presença global do anime.
Itō argumenta que as produções de Hollywood parecem ter perdido força, enquanto o anime preencheu esse vazio de forma eficaz. Por isso, ele vê o meio em ascensão, mas defende que a criatividade original não deve ser sacrificada no altar da “globalização”. Para o público brasileiro, que consome anime de forma massiva, o debate é relevante porque toca na autenticidade das obras que chegam aqui. Dessa forma, o diretor coloca em xeque uma estratégia comum na indústria do entretenimento.
O reconhecimento dos bastidores
Além de criticar a tentativa excessiva de agradar a todos, Itō destacou um ponto positivo que observa no exterior: o reconhecimento da equipe técnica. Ele citou como exemplo o diretor Haruo Sotozaki, de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – the Movie: Infinity Castle, mais reconhecido fora do Japão. Para o criador, preservar a história de quem fez o quê é vital para inspirar as novas gerações de animadores, algo que a indústria doméstica poderia adotar com mais ênfase. Afinal, saber quem está por trás dos maiores sucessos é um direito do fã.
Enquanto isso, o próximo projeto de Itō, uma adaptação para filme do primeiro livro da série Kusnoki no Bannin, de Keigo Higashino, tem estreia prevista para o final de janeiro nos cinemas japoneses. Suas reflexões, portanto, não são apenas teóricas, mas partem de quem está ativamente moldando o futuro da animação. No fim das contas, a mensagem é clara: o sucesso global do anime vem de sua essência única, e não de tentativas de se moldar a expectativas externas. Essa lição ressoa no Brasil, onde o conteúdo japonês conquistou espaço justamente por ser diferente.








