Artistas de Manga Deixam o X Após Polêmica com IA; Entenda o Caso

Artistas de manga de grande renome, incluindo Boichi, o ilustrador de Dr. Stone, estão tirando suas obras de arte da plataforma X, antigo Twitter. A decisão foi anunciada no final de dezembro de 2025 e se mantém neste início de 2026, após a rede social implementar uma nova função de edição de imagens com Inteligência Artificial. O principal motivo é o receio de que seus trabalhos sejam usados para treinar algoritmos de IA sem seu consentimento ou uma compensação financeira justa. Dessa forma, criadores como Kei Urana, de Gachiakuta, e Mokumokuren, de The Summer Hikaru Died, também migraram suas publicações visuais para outras redes.
Boichi deixou claro, no entanto, que não está abandonando completamente o X. Em sua declaração, ele afirmou que continuará usando a plataforma para compartilhar notícias e interagir com os fãs. Apesar disso, suas ilustrações e páginas de mangá agora têm um novo endereço principal: seu perfil no Instagram. Além disso, o artista também abriu uma conta no Bluesky, uma rede social concorrente, seguindo um movimento que outros colegas de profissão estão adotando. Mas o que levou esses criadores a tomarem essa decisão? A resposta está em uma preocupação crescente com os direitos autorais na era das inteligências artificiais generativas.
O Debate sobre Direitos Autorais e IA
O cerne da questão envolve os termos de serviço do X e como a nova ferramenta de IA pode criar obras derivadas a partir do conteúdo postado por usuários. Embora a plataforma tenha um processo para denunciar violações de copyright, a legalidade do uso de imagens para treinamento de modelos de IA ainda é uma área cinzenta. Especialistas em direito, como o advogado Grant Smith citado na reportagem original, apontam que a renderização feita por IA é uma obra derivada e, portanto, potencialmente viola os direitos dos artistas. No entanto, os tribunais ainda estão estabelecendo jurisprudência sobre o tema.
Um caso emblemático que serve como pano de fundo é o processo movido por autores como George R.R. Martin, criador de Game of Thrones, contra a OpenAI e a Microsoft. Os escritores alegam que seus livros foram usados para treinar modelos de linguagem sem permissão. Com previsão de seguir adiante nos tribunais norte-americanos, esse processo pode criar um precedente importante. Se os autores vencerem, abriria um caminho mais sólido para que artistas visuais também processem plataformas como o X por usos indevidos de suas obras por sistemas de inteligência artificial.
Enquanto o debate judicial não se resolve, a reação prática dos criadores é buscar ambientes mais seguros. O Instagram e o Bluesky surgem como refúgios, onde as políticas em relação à IA parecem, no momento, mais claras ou menos intrusivas. Dessa forma, os fãs que desejam acompanhar a arte original de seus mangakás favoritos precisam ficar atentos a essa migração digital. O movimento iniciado no fim do ano passado é um sinal forte de como a relação entre criadores de conteúdo e plataformas de rede social está se transformando, com a tecnologia de IA no centro do conflito.









