Tânia Maria, aos 79 anos, se torna ícone do cinema após sucesso em ‘O Agente Secreto’

Tânia Maria, uma atriz de 79 anos com poucas experiências em frente às câmeras, se transformou no novo ícone do cinema brasileiro em janeiro de 2026, graças à sua atuação cativante no filme ‘O Agente Secreto’. O longa, um thriller político dirigido por Kleber Mendonça Filho, acaba de receber quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura. Esse reconhecimento internacional acontece pouco depois da vitória do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no ano anterior, com ‘Ainda Estou Aqui’, gerando uma nova onda de otimismo na indústria cinematográfica nacional.
A ascensão meteórica de Tânia Maria, que em poucos meses acumulou mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, se deve aos seus modestos, porém marcantes, 11 minutos de tela. Neles, ela interpreta Dona Sebastiana, uma governanta nordestina que abriga refugiados políticos durante a ditadura militar. Sua autenticidade e carisma, características que ela mesma atribui à sua simplicidade, roubaram a cena e conquistaram a crítica internacional. Dessa forma, a atriz personifica uma faceta familiar da cultura brasileira, trazendo orgulho e representatividade para a região Nordeste, muitas vezes negligenciada no cinema.
Da cidade natal para as telas do mundo
A trajetória de Tânia Maria no cinema começou quase por acaso, em 2018, quando Kleber Mendonça Filho procurava talentos locais para seu filme ‘Bacurau’. Ela, que antes passava o tempo tecendo tapetes em sua cidade natal no Nordeste, foi até o set movida pela curiosidade. No entanto, seu carisma foi tão impactante que o diretor decidiu dar-lhe uma fala, momento que, mais tarde, viralizou na internet. Por isso, quando Mendonça Filho concebeu a personagem Dona Sebastiana para ‘O Agente Secreto’, não teve dúvidas: a inspiração era Tânia Maria.
Apesar de não ter formação como atriz, seu comportamento natural diante das câmeras impressionou o diretor, que a define como ‘alguém que acerta sempre’. Essa naturalidade ressoou profundamente com o público, como demonstrado em um cinema do Rio de Janeiro, onde fãs promoveram um concurso de imitação da atriz antes da exibição da cerimônia do Globo de Ouro. O vencedor foi um menino de nove anos, vestido com roupas florais e óculos escuros, mostrando o alcance intergeracional de seu novo status de ícone.
Um novo capítulo para o cinema nacional
O sucesso de ‘O Agente Secreto’ e de Tânia Maria reacende as esperanças de que o Brasil possa conquistar seu segundo Oscar consecutivo. O filme já venceu nas categorias de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator em Filme Dramático no Globo de Ouro, causando euforia comparável a uma final de Copa do Mundo entre os espectadores. Além disso, a obra joga holofotes sobre a cultura, o folclore e os dialetos do Nordeste, inspirando orgulho em uma herança rica e por vezes esquecida.
Para Tânia Maria, todo esse frenesi marca o ponto alto de uma carreira que começou tardiamente, mas que está longe do fim. ‘Não sou velha, sabia? Estou só começando’, declarou a atriz, que já está envolvida nas filmagens de seu próximo longa. Dessa forma, sua história não é apenas sobre fama inesperada, mas também sobre como a autenticidade e a representatividade cultural podem conquistar o mundo, projetando o cinema brasileiro para um novo e promissor patamar em 2026.









