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Netflix Cancela ‘Crepúsculo dos Deuses’ de Zack Snyder e Enterra o Futuro da Franquia

A ambição mitológica de Zack Snyder chega a um fim abrupto. A Netflix confirmou o cancelamento de Twilight of the Gods (Crepúsculo dos Deuses) após apenas uma temporada, deixando uma saga de vingança inacabada e sinalizando uma mudança drástica na parceria entre o diretor e a gigante do streaming.

O Crepúsculo Prematuro de Uma Saga

A notícia caiu como um machado de guerra sobre os fãs do “Snyderverse”: Crepúsculo dos Deuses (Twilight of the Gods), a aposta animada de Zack Snyder no mundo da mitologia nórdica, não retornará para uma segunda temporada. A decisão, confirmada por fontes da indústria e corroborada por dados de audiência, marca mais um revés significativo na outrora promissora colaboração entre a produtora de Snyder, a The Stone Quarry, e a Netflix.

A série, que estreou em setembro de 2024, prometia ser uma visão visceral, adulta e sem concessões dos mitos escandinavos. Com um estilo de animação 2D distinto (produzido pela Xilam Animation) e um elenco de vozes estelar, a produção buscava capturar a mesma energia revolucionária que Arcane ou Cyberpunk: Edgerunners trouxeram para a plataforma. No entanto, os números contam uma história diferente.

Segundo relatórios internos, o cancelamento foi motivado estritamente pela métrica de custo versus impacto. Embora a série tenha conquistado uma base de fãs leal e uma pontuação respeitável de 76% no Rotten Tomatoes, ela falhou em atingir o “mainstream”. Ao contrário de Rebel Moon, que dominou as conversas (ainda que de forma polarizada), Crepúsculo dos Deuses não conseguiu penetrar no Top 10 Global da Netflix com a força necessária para justificar o investimento em uma segunda temporada de animação de alta qualidade.

O desfecho é amargo: a primeira temporada terminou em um cliffhanger monumental, com a revelação de Loki como o grande arquiteto do caos e o início efetivo do Ragnarök. Agora, essa batalha final permanecerá, ironicamente, apenas no reino da imaginação.

 

A “Fadiga Snyder” e a Crise na Parceria Netflix

 

Este cancelamento não é um evento isolado; é um sintoma de um diagnóstico maior sobre a marca Zack Snyder dentro da Netflix. Quando o diretor assinou seu acordo de exclusividade, a promessa era a construção de múltiplos universos cinematográficos interconectados. Hoje, a realidade é de retração.

O universo de Army of the Dead, que deveria expandir-se com uma sequência direta (Planet of the Dead) e um spin-off animado (Lost Vegas), foi silenciosamente arquivado. Da mesma forma, a recepção crítica mista e a queda de audiência entre as duas partes de Rebel Moon colocaram o futuro dessa ópera espacial em xeque.

Com o fim de Crepúsculo dos Deuses, analistas de mercado começam a questionar se a Netflix está reavaliando a viabilidade econômica do “Snyder Cult”. O modelo de “carta branca” criativa, que permitiu a Snyder entregar cortes de diretor com horas de duração e conteúdo visualmente explícito, parece estar colidindo com a nova política de austeridade e eficiência da era do streaming em 2025. A plataforma, que agora prioriza sucessos virais imediatos como Wandinha ou Round 6, parece ter menos paciência para obras de nicho, independentemente do nome do diretor na capa.

Por Que a Série Falhou em Engajar?

Para entender o cancelamento, é preciso olhar além dos números. A série enfrentou barreiras estruturais desde o início:

  1. Estilo Visual Polarizante: A escolha de uma estética 2D estilizada, lembrando ilustrações em movimento, foi uma decisão artística ousada, mas que afastou o público acostumado ao CGI hiper-realista de produções como Love, Death & Robots.

  2. Excesso de Conteúdo Adulto: A insistência na classificação “R-Rated” (para maiores) resultou em sequências de sexo e violência que, segundo alguns críticos, serviam mais ao choque do que à narrativa, limitando o apelo demográfico da obra.

  3. Concorrência Feroz: O mercado de “animação para adultos” está saturado. Competir pela atenção do público contra titãs estabelecidos como Invencível (Prime Video) ou o próprio catálogo de animes da Netflix exigia um roteiro impecável, algo que Crepúsculo dos Deuses entregou com inconsistência.

O Que Foi Perdido: A Visão de Snyder e Jay Oliva

É importante reconhecer o que a série tentou realizar. Sob a batuta do showrunner Jay Oliva (um veterano da animação da DC) e de Snyder, a obra subverteu a imagem heroica de Thor, apresentando-o como um vilão tirânico e sanguinário — uma interpretação muito mais fiel às Eddas nórdicas do que a versão da Marvel.

A trama seguia Sigrid, uma guerreira meio-gigante que, após ter seu casamento banhado em sangue pela ira de Thor, reúne um bando de desajustados para uma missão suicida de vingança. O elenco de vozes incluía nomes de peso como Sylvia Hoeks, Stuart Martin, Pilou Asbæk, John Noble e Paterson Joseph.

O cancelamento deixa perguntas narrativas cruciais sem resposta:

  • O destino de Sigrid após sua descida ao submundo.

  • O papel exato de Jesus Cristo (que fez uma aparição breve e controversa) no panteão da série.

  • A execução visual da batalha final do Ragnarök, que prometia ser o ápice estético da carreira de Snyder.

O Futuro da Animação na Netflix

A queda de Crepúsculo dos Deuses coincide com o cancelamento de outras animações adultas da plataforma, como Exploding Kittens e o reboot de Good Times. Isso sinaliza uma correção de curso na divisão de animação da Netflix.

Enquanto séries baseadas em IPs de videogames massivos (Arcane, Castlevania, Tomb Raider) continuam a prosperar, projetos originais de autor parecem estar em terreno instável. A mensagem para os criadores é clara: a excelência visual não é suficiente; o engajamento deve ser imediato e explosivo.

O Que Resta Para Zack Snyder?

Com o cancelamento, a posição de Snyder em Hollywood entra em um momento delicado. Seus projetos na Netflix estão diminuindo, e os rumores sobre um possível retorno à Warner Bros. (agora sob nova direção, mas ainda com James Gunn no comando da DC) são apenas especulações de fãs.

O diretor ainda possui uma base de seguidores ferozmente leal, capaz de levantar campanhas globais. No entanto, sem uma plataforma disposta a financiar orçamentos multimilionários para visões de nicho, o “Snyderverse” pode ter que se adaptar a formatos menores — talvez histórias em quadrinhos ou filmes de menor orçamento — para sobreviver.

Para os fãs que esperavam ver Sigrid cravando sua espada no coração de Thor, resta apenas o gosto amargo do “o que poderia ter sido”. Em um mercado impulsionado por dados, nem mesmo os deuses estão a salvo do cancelamento.

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Adriano Ladislau

Adriano é Mercadólogo, Publicitário, Professor e Podcaster. Atua há mais de 10 anos escrevendo conteúdo especializado em cultura geek e, paralelamente, desenvolveu uma carreira sólida no marketing, com foco em análise de dados e campanhas criativas. Já liderou equipes, negociou parcerias com grandes marcas e hoje ensina novos profissionais a navegar nesse universo com conteúdo direto, prático e bem-humorado. Quando não está cuidando do Santuário Geek ou do seu grupo no Telegram, provavelmente está ouvindo Queen ou maratonando um clássico do gênero Tokusatsu.

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