Cena de luta de ‘Nobody’ é eleita a melhor da década de 2020

Nobody, o thriller de ação estrelado por Bob Odenkirk, consolidou sua cena de luta dentro de um ônibus como um marco absoluto do gênero nos anos 2020. Lançado alguns anos antes de 2026, o filme aproveitou a fama de Odenkirk como o advogado Saul Goodman para criar uma reviravolta genial: transformar um homem comum em uma máquina de combate. A sequência, que ocorre no primeiro ato da trama, é celebrada não apenas pela coreografia brutal, mas pela profundidade emocional que ela dá ao protagonista Hutch Mansell. Dessa forma, ela se tornou um ponto de referência obrigatório para qualquer fã de ação, redefinindo expectativas com seu realismo cru e narrativa visceral.
A relevância dessa cena em 2026 permanece alta, pois ela representa um divisor de águas na forma como a violência é retratada no cinema. Enquanto franquias como John Wick optam por um estilo altamente coreografado, a luta em Nobody valoriza a improvisação, o cansaço e a dor. O protagonista, interpretado por Bob Odenkirk, não é um super-herói invencível, mas um homem enferrujado que redescobre sua identidade através de um conflito caótico. Por isso, o legado do filme continua vivo, inspirando discussões sobre a evolução das sequências de ação e servindo como um contraponto poderoso aos blockbusters mais estilizados.
O que torna essa cena de luta tão especial?
O grande trunfo da sequência no ônibus é sua construção psicológica. A narrativa não apresenta Hutch como um herói desde o início, mas como um pai de família aparentemente comum, frustrado por um assalto banal. No entanto, a perda de uma pulseira da filha funciona como o estopim para liberar uma fera adormecida. Quando um grupo de homens bêbados começa a importunar uma passageira, Hutch encontra a desculpa perfeita que seu subconsciente ansiava. A coreografia, então, deliberadamente desajeitada e exaustiva, mostra um homem que luta com o que tem à mão, desde uma faca até uma alça de bolsa, em um espaço claustrofóbico que amplifica cada impacto.
Além disso, o clímax da cena surpreende ao trocar a brutalidade gratuita por um ato de misericórdia inesperado. Após neutralizar seus oponentes, Hutch realiza uma traqueostomia de emergência em um dos agressores, usando um canudo. Esse momento de ternura grotesca redefine completamente o personagem, mostrando que a violência para ele não é um fim, mas um meio de proteger algo. Em outras palavras, a cena é mais sobre revelação do que sobre porrada, uma nuance que a tornou memorável. Dessa forma, ela consegue emocionar e chocar na mesma medida, um feito raro no gênero.
O sucesso dessa sequência reverberou, influenciando a discussão sobre o que constitui uma grande cena de ação nos anos seguintes, inclusive em 2026. A performance de Odenkirk, que passou por um rigoroso treinamento físico, provou que protagonistas de ação não precisam ser atletas tradicionais, mas sim atores capazes de transmitir conflito interno. Portanto, mesmo após alguns anos de seu lançamento, “Nobody” e seu duelo no ônibus seguem como um exemplo máximo de como contar uma história de redenção através do combate, superando a mera espectacularidade para entregar algo verdadeiramente catártico.









