Crítica: ‘Mercy’, com Chris Pratt, é thriller sci-fi falho e enjoado

“Mercy”, o novo thriller de ficção científica estrelado por Chris Pratt, chega aos cinemas em janeiro de 2026 prometendo uma trama futurista de tirar o fôlego, mas entrega uma experiência visualmente cansativa e narrativamente conservadora. O filme, dirigido por Timur Bekmambetov, coloca Pratt no papel do detetive Chris Raven, que precisa provar sua inocência em um assassinato dentro de um sistema judicial totalmente operado por uma inteligência artificial homônima. A premissa, no entanto, que poderia levantar debates urgentes sobre vigilância e tecnologia, acaba defendendo ideias problemáticas em meio a uma estética de vídeo encontrado que pode causar enjoos no espectador.
Com a trama se passando em uma Los Angeles futurista transformada em um estado de vigilância, o detetive Raven tem apenas 90 minutos para escapar de uma sentença de morte automática. Para isso, ele navega por uma infinidade de imagens de câmeras de segurança, *bodycams* e redes sociais, todas acessíveis através da “nuvem municipal”. Apesar do conceito alto, a execução é falha: grande parte do filme se resume a closes de Pratt preso a uma cadeira, com cortes rápidos e uma fotografia acinzentada que exploram pouco o potencial da premissa. Dessa forma, o que poderia ser uma crítica ácida acaba soando como uma defesa questionável da vigilância em massa.
Estética Enjoada e Mensagem Confusa
Um dos maiores problemas de “Mercy” está justamente em sua apresentação. Apesar de ser “filmado para IMAX”, a experiência é descrita como potencialmente “geradora de enxaqueca” devido aos rápidos e constantes zaps entre diferentes fontes de vídeo. A montagem, assinada por uma equipe de seis editores, cria uma sensação de navegar na web de forma caótica, que mais distrai do que imerge. Enquanto isso, a narrativa, que inicialmente se concentra no julgamento, dá uma guinada no terceiro ato para um ataque físico ao sistema Mercy, com cenas de ação filmadas em Los Angeles. No entanto, essa mudança de ritmo não é suficiente para salvar o conjunto.
O filme tenta argumentar, no fim das contas, que a intuição humana é insubstituível, mesmo em um mundo dominado por IA. No entanto, essa mensagem se perde ao glorificar o acesso ilimitado da polícia a todos os dados de vigilância. A conclusão, portanto, é mais perturbadora do que inspiradora, levantando questões éticas que a própria obra parece ignorar. Em um momento onde o debate sobre os limites da inteligência artificial é global e crucial, “Mercy” opta por um caminho superficial, focando em um mistério criminal convencional e perdendo a chance de explorar as reais implicações do futuro que imagina.








