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Cara-de-Barro: a DC aposta no terror em Gotham sombria

Terror corporal da DC Studios estreia nesta quinta (22) com Tom Rhys Harries como Matt Hagen e transforma Gotham em um pesadelo visceral. Veja detalhes.

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Tom Rhys Harries como Matt Hagen em cena noturna de Cara-de-Barro, sob luz vermelha de neon
· Foto: Divulgação / Warner Bros. Pictures

Cara-de-Barro chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, como o primeiro longa de terror do DCU. Dirigido por James Watkins e estrelado por Tom Rhys Harries, o filme acompanha Matt Hagen, um ator em ascensão em Hollywood que tem o rosto desfigurado pela quadrilha de um chefão do crime em Gotham City e aceita um tratamento experimental da Dra. Caitlyn Corr (Naomi Ackie) para recuperar a aparência. O procedimento funciona no início, mas transforma seu corpo em uma massa de argila maleável — e sua mente, em algo muito pior. A aposta da DC Studios é trocar o modelo do anti-herói redimido pelo body horror: em vez de compaixão, o público acompanha a queda de um homem que se torna, passo a passo, um monstro.

Um vilão de verdade, não um anti-herói incompreendido

Nos últimos anos, Hollywood se acostumou a transformar antagonistas em protagonistas simpáticos. Coringa ganhou um drama psicológico sobre exclusão social; o Pinguim, uma série sobre ascensão política em uma Gotham decadente. Cara-de-Barro segue o caminho oposto: não há arco de redenção, nem tentativa de explicar a violência como resposta legítima a uma sociedade injusta. O filme trata Matt Hagen como aquilo que ele é — um vilão em formação.

A escolha tem lógica de mercado e de narrativa. A DC Studios, comandada por James Gunn e Peter Safran, prometeu desde o início explorar a diversidade de gêneros dos quadrinhos, e o terror é justamente o terreno que a Marvel ainda não ocupou com força nas telonas. Em 2026, o gênero vive um novo auge comercial: Obsessão se tornou a maior bilheteria de um terror original do século, e Backrooms: Um Não-Lugar virou o filme de maior arrecadação da A24.

“Acho fascinante que as pessoas sejam atraídas pelo terror como uma forma de escapismo subvertido. É um veículo para contar histórias realmente empolgantes.”

De galã a monstro: a trama de Matt Hagen

Matt Hagen é um garoto de Gotham que vira estrela de Hollywood. A ascensão meteórica é interrompida quando ele se envolve com a mulher do gângster Markos Szabo (David Dencik). A retaliação é brutal: a quadrilha destrói seu rosto. Abandonado pela equipe e sem dinheiro, Hagen procura a Dra. Caitlyn Corr, pesquisadora que testa uma tecnologia de reconstrução celular. O tratamento devolve sua antiga face — mas também afeta seu controle sobre a realidade.

O roteiro é assinado por Mike Flanagan (A Maldição da Residência Hill, Doutor Sono) e Hossein Amini, a partir de uma história original de Flanagan. A dupla se inspirou em dois episódios de Batman: A Série Animada que contam a origem do personagem, mas também olhou para clássicos do terror corporal como A Mosca, A Substância e Darkman: Vingança sem Rosto. O resultado é uma história de ascensão e queda que não pede conhecimento prévio do universo DC para funcionar.

Close no rosto deformado de Matt Hagen durante a transformação em Cara-de-Barro
A transformação de Matt Hagen é o centro dramático do longa, com próteses e efeitos práticos. (Foto: Divulgação / Warner Bros. Pictures)

Gotham existe: Liverpool, tungstênio e pouca tela verde

Para dar peso à cidade, a produção evitou ao máximo o CGI e construiu Gotham em Liverpool, na Inglaterra. A escolha não foi acidental: Watkins enxergou na arquitetura da cidade um paralelo com a Nova York das décadas de 1970, 1980 e 1990, referência estética assumida pela equipe. O diretor de fotografia Rob Hardy complementou o desenho de luz com lâmpadas de tungstênio, criando uma atmosfera suja, excêntrica e decadente.

O elenco também sentiu o efeito dos cenários práticos. Tom Rhys Harries contou que caminhava pelas ruas e encontrava panfletos deixados como parte do cenário; em outras ocasiões, via carros da polícia de Gotham passando. Para o ator, esse nível de detalhe foi decisivo para sustentar a imersão em um filme que, segundo o diretor, não é uma aventura de super-herói gigantesca, mas a história de uma única pessoa.

“O mundo de Gotham é fantástico, mas também queríamos mantê-lo pé no chão, real e contar a história de apenas uma pessoa. Não é um filme de super-herói gigantesco e maluco. É algo muito mais próximo do personagem, e acho isso realmente interessante.”
Matt Hagen acena para fãs em tapete vermelho antes da transformação no filme Cara-de-Barro
O começo glorioso de Matt Hagen em Hollywood contrasta com a degradação física e mental do restante da trama. (Foto: Divulgação / Warner Bros. Pictures)

Efeitos práticos e o corpo como cenário do horror

O grande trunfo técnico de Cara-de-Barro é a maquiagem. As sequências em que o rosto e o corpo de Hagen se deformam foram feitas com próteses e efeitos práticos, o que deu ao ator uma noção concreta das limitações físicas do personagem. Harries descreveu o processo como um exercício de superar obstáculos e encontrar contradições — o espaço mais interessante para um intérprete. Ao fim das filmagens, diz, estava completamente esgotado.

A opção pelo prático dialoga com uma tendência recente de Hollywood, defendida publicamente por Watkins ao citar A Odisseia, de Christopher Nolan. Para o diretor, não é preciso mostrar tudo: a sugestão assusta mais do que a exposição completa da criatura. É uma escolha que também ajuda o filme a se diferenciar da parafernália digital habitual dos blockbusters de quadrinhos.

Recepção da crítica e ficha técnica

As primeiras reações, divulgadas após a premiere em Los Angeles, foram amplamente positivas. Críticos destacaram o teor brutal do filme, a classificação etária alta e a atuação de Harries. Na consolidação das primeiras resenhas, o Rotten Tomatoes registrava 75% de aprovação crítica. Parte da imprensa norte-americana apontou limitações no roteiro, mas houve consenso sobre a performance do protagonista e a eficácia do terror corporal.

No Brasil, a estreia ocorre um dia antes do lançamento nos Estados Unidos, com classificação de 18 anos — a mesma faixa do mercado americano, onde o filme recebeu rating R. A produção custou cerca de US$ 40 milhões, orçamento modesto para os padrões da DC, o que reduz a pressão por bilheteria e explica a aposta em um formato mais contido e autoral.

Cara-de-Barro (Clayface, 2026) — ficha técnica
DireçãoJames Watkins
RoteiroMike Flanagan e Hossein Amini
ElencoTom Rhys Harries, Naomi Ackie, David Dencik, Max Minghella, Eddie Marsan
ProduçãoMatt Reeves, Lynn Harris, James Gunn e Peter Safran
Duração108 minutos
Classificação18 anos (R nos EUA)
Estreia no Brasil22 de outubro de 2026

Onde o filme encaixa no DCU

Cara-de-Barro é o terceiro longa do DCU, depois de Superman (2025) e Supergirl (2026), e o primeiro a mergulhar no terror. O personagem surgiu em Detective Comics nº 40, de 1940, criado por Bill Finger e Bob Kane, e teve várias identidades ao longo de oito décadas. O filme não adapta a primeira aparição: combina a trajetória de Hagen com traços de Basil Karlo, o ator vingativo da origem nos quadrinhos.

A produção também evita amarrar o longa a uma teia de referências. Não há Batman em cena, e o roteiro não exige que o espectador conheça os filmes anteriores. Essa independência é ao mesmo tempo uma força e uma limitação: o filme funciona como peça de terror autônoma, mas deixa em aberto como o vilão reaparecerá no futuro do universo compartilhado.

Para quem acompanha a produção de super-heróis, o lançamento chega em um momento de reorganização da indústria — a compra da Warner pela Paramount redesenhou o mapa dos estúdios, e o desempenho de Cara-de-Barro será lido com atenção. Já os fãs de terror têm motivos concretos para entrar na sala: o longa aposta em desconforto, violência e uma Gotham que parece realmente doente.

O filme também reforça a parceria criativa com Mike Flanagan, um dos nomes mais consistentes do horror contemporâneo, e dialoga com o interesse do público por narrativas de vilões — tendência que o próprio DCU vem testando em projetos como The Batman Parte II. A diferença é que aqui não há espaço para romantizar o monstro.

Cara-de-Barro estreia em 22 de outubro de 2026 nos cinemas brasileiros. A produção é distribuída pela Warner Bros. Pictures, e mais detalhes podem ser conferidos no site oficial do estúdio. Para acompanhar outras estreias e análises, visite a seção de filmes da Revista Pixel.

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