Mangás exploram neurodivergência e ‘mascaramento social’ em 2026

O cenário dos mangás em 2026 está passando por uma transformação significativa, com um aumento notável de histórias que abordam a neurodivergência com empatia e profundidade. Enquanto isso, obras como “Box of Light”, de Seiko Erisawa, “Takahashi from the Bike Shop”, de Arare Matsumushi, e “Spacewalking With You”, de Inuhiko Doronoda, ganham destaque por explorar o conceito de ‘mascaramento social’. Esse fenômeno, comum entre pessoas autistas ou com TDAH, refere-se ao esforço constante de esconder traços neurodivergentes para se encaixar em padrões considerados ‘normais’ pela sociedade neurotípica. Dessa forma, essas narrativas não apenas entretêm, mas também educam e promovem uma representação mais autêntica e respeitosa.
Essa mudança cultural no universo dos quadrinhos japoneses reflete uma tendência global de maior aceitação e compreensão das diferenças neurológicas. Por isso, os mangás se tornaram um veículo poderoso para autores compartilharem experiências pessoais e para leitores se identificarem com personagens que enfrentam desafios similares. O ‘mascaramento’, por exemplo, é retratado como um ato exaustivo que pode levar ao esgotamento e à desconexão com o eu autêntico, um tema que ressoa fortemente com o público brasileiro, cada vez mais interessado em diversidade e saúde mental. Além disso, essas histórias mostram a importância de encontrar comunidades acolhedoras e de abraçar paixões individuais sem medo do julgamento alheio.
O Peso da Máscara e a Jornada pela Autenticidade
Em “Box of Light”, a personagem Sotoba personifica o desgaste do mascaramento prolongado no ambiente corporativo. Ela suprime seu amor pelo mangá “Canelé Academy” após um comentário depreciativo de um colega, adotando uma fachada de eficiência perfeita que a leva à beira do colapso. No entanto, a redescoberta de sua paixão funciona como uma âncora, permitindo que ela retorne à vida e abrace sua verdadeira identidade. Da mesma forma, “Takahashi from the Bike Shop” segue Panko, uma mulher constantemente pressionada a negar seus gostos por animes e filmes considerados infantis. Apesar disso, com o apoio de amigos verdadeiros, ela encontra a força para confrontar a pressão social e viver com honestidade, demonstrando como relacionamentos genuínos são fundamentais para o bem-estar.
Já “Spacewalking With You” aborda o tema desde a infância, através do personagem Uno Keisuke. Com traços fortemente associados ao espectro autista, ele utiliza um caderno como “âncora” para navegar por regras sociais confusas. Uma página manchada de lágrimas o instrui a não “incomodar” os outros com sua paixão por astronomia, um exemplo comovente de como a internalização da rejeição começa cedo. Graças a um amigo atento, no entanto, Uno aprende que seus interesses não são um fardo, mas uma ponte para conexões significativas. Dessa forma, a obra ilustra a importância do apoio e da aceitação no desenvolvimento de jovens neurodivergentes.
O crescente espaço para essas narrativas no mercado de mangás é um sinal positivo de evolução cultural. Enquanto o público brasileiro consome cada vez mais esse tipo de conteúdo, a indústria tem a oportunidade de seguir ampliando a representatividade. Portanto, espera-se que o futuro traga ainda mais histórias escritas com sensibilidade, não apenas sobre neurodivergência, mas sobre a experiência humana em toda a sua diversidade, ajudando a construir uma sociedade mais empática e inclusiva.









