O filme de desastre que uniu Warner e Fox em 1974

Hollywood testemunhou, em 1974, um evento raro na sua história: duas grandes rivais, Warner Bros. e 20th Century Fox, se uniram para produzir um único filme. O motivo foi a corrida por histórias semelhantes, um fenômeno comum no cinema. Naquele ano, ambas as produtoras planejavam filmes de desastre ambientados em arranha-céus em chamas. Para evitar um desgaste financeiro mútuo, o produtor Irwin Allen, conhecido como ‘Mestre do Desastre’, propôs uma fusão dos projetos. Dessa forma, nasceu ‘Inferno na Torre’ (The Towering Inferno), um marco do gênero que estreou em dezembro de 1974 e se tornou um sucesso estrondoso de bilheteria.
O acordo de co-produção dividiu igualmente os custos, que atingiram a cifra milionária de 14 milhões de dólares na época. Graças a esse orçamento avantajado, o filme pôde contar com um elenco estelar, incluindo Paul Newman e Steve McQueen, e investir em efeitos visuais espetaculares para a década de 1970. A trama, que mostra a luta pela sobrevivência durante um incêndio no edifício mais alto do mundo, cativou o público e arrecadou mais de 203 milhões de dólares mundialmente. Além do sucesso comercial, a produção recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, consolidando seu legado como um clássico do cinema.
O conflito por trás das câmeras
Apesar do sucesso final, as filmagens de ‘Inferno na Torre’ não foram livres de atritos. Steve McQueen, conhecido por sua personalidade forte, insistiu para ter o mesmo número de falas que seu colega de elenco, Paul Newman. Quando Newman descobriu a manobra, confrontou McQueen, classificando suas ações como mesquinhas. No entanto, essa disputa entre as duas estrelas não foi suficiente para prejudicar a produção, que seguiu adiante sob a direção de John Guillermin.
O filme se tornou um exemplo bem-sucedido de cooperação entre estúdios em um mercado altamente competitivo. A estratégia de unir forças, em vez de se enfrentarem com produtos similares, provou ser financeiramente sábia para a Warner e para a Fox. A receita generosa e o reconhecimento da crítica validaram a ousadia do produtor Irwin Allen. No entanto, o episódio marcou a única colaboração entre Newman e McQueen, que nunca mais trabalhariam juntos, deixando para a história um legado de tensão criativa por trás de um dos maiores filmes de desastre de todos os tempos.









