Seul: a capital mundial dos esports que inspira o Brasil em 2026

Seul se consolida, em 2026, como a capital inquestionável dos esports globais, um título construído ao longo de três décadas. A cidade sul-coreana, que abriga a arena LoL Park e uma infinidade de PC bangs (lan houses de alto nível), transformou uma paixão por jogos em um poderoso setor de entretenimento e soft power nacional. Enquanto isso, no Brasil, o cenário competitivo observa e busca inspiração nesse modelo bem-sucedido, que vai desde a infraestrutura de base até a profissionalização de atletas. A relevância do caso coreano é enorme, pois mostra como políticas públicas e investimento privado podem criar uma indústria bilionária a partir dos games.

O coração dessa operação bate no distrito de Jongno, onde a LCK (League of Legends Champions Korea) realiza suas partidas. Lá, centenas de fãs lotam um auditório moderno para assistir aos jogos a apenas cinco metros dos ídolos, em uma experiência de proximidade rara. No entanto, o verdadeiro fenômeno cultural acontece nas ruas e nos estabelecimentos locais, onde a paixão pelos esports mobiliza gerações. Essa cultura fervilhante, que mistura competição de alto nível com acesso democrático, é o resultado de uma estratégia nacional iniciada ainda nos anos 1990.

Do PC Bang ao Pódio: A Receita Coreana

A ascensão da Coreia do Sul no mundo dos games tem uma origem precisa: a crise financeira de 1997. Como resultado, o governo apostou na infraestrutura de TI como saída econômica, o que popularizou os PC bangs. Esses espaços, com internet rápida e acessível, foram o berço perfeito para o fenômeno StarCraft em 1998. Dessa forma, uma subcultura de porões ganhou asas e se profissionalizou rapidamente. Além disso, grandes conglomerados como Samsung e SK Telecom entraram no jogo, criando casas de treinamento (gaming houses) que moldam jogadores com disciplina de atletas olímpicos.

Esse ecossistema robusto levou à criação do primeiro canal de TV especializado em games (OGN) e de uma associação reguladora, a KeSPA. Por isso, o que era visto com desconfiança virou motivo de orgulho nacional. A consagração veio em 2022, quando os esports viraram evento com medalhas nos Jogos Asiáticos de Hangzhou, e os jogadores coreanos foram recebidos como heróis. Em outras palavras, a jornada foi da preocupação com “vício em games” à celebração como “potência cultural”.

Hoje, a experiência para o fã em Seul é única. Eles criam cartazes artesanais (os “cheerfuls”), esperam por encontros pós-jogo para entregar cartas e presentes aos jogadores e lotam transmissões online. Para visitantes internacionais, como a estudante vietnamita Linh Le, de 23 anos, a cidade é um local de peregrinação. “Venho para ver os jogadores na vida real”, ela afirma, destacando o apelo humano por trás das telas. Apesar do sucesso, fãs locais, como Chae Yu-lim, de 32 anos, ainda pedem por arenas maiores para acomodar toda a paixão que existe.

E o Brasil Nessa História?

O caso de Seul serve como um espelho ambicioso para o Brasil. Enquanto nosso país possui uma base de fãs gigantesca e talentos reconhecidos mundialmente, ainda falta uma estrutura unificada e investimentos de longo prazo que espelhem o modelo coreano. A profissionalização de atletas, o suporte institucional e a criação de espaços acessíveis são lições valiosas. Portanto, observar a capital dos esports não é apenas sobre admiração, mas sobre entender quais peças desse complexo quebra-cabeça podem ser adaptadas para fortalecer o cenário nacional. O futuro dos games no Brasil pode, assim, aprender muito com as arenas e PC bangs de Seul.

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