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Sukiyaki: a história da canção que abriu festival em Tóquio

Filme sobre o sucesso de Kyu Sakamoto abriu o Festival de Tóquio. A canção japonesa liderou a Billboard por três semanas em 1963 e inspirou novo longa.

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Imagem promocional do filme japonês SUKIYAKI, sobre a canção de Kyu Sakamoto
Imagem promocional de SUKIYAKI. (Imagem: Tokyo International Film Festival / ©2026 “SUKIYAKI” Film Partners.) · Foto: Tokyo International Film Festival / ©2026 “SUKIYAKI” Film Partners

A canção japonesa “Ue o Muite Arukō”, conhecida no exterior como “Sukiyaki”, virou o ponto de encontro entre uma história da música e o Festival Internacional de Cinema de Tóquio. O longa SUKIYAKI, dirigido por Takahisa Zeze, abriu a 39ª edição do evento em 26 de outubro e transforma em drama a parceria entre o compositor Hachidai Nakamura, o letrista Rokusuke Ei e o cantor Kyu Sakamoto. No Japão, a estreia comercial está prevista para 25 de dezembro de 2026.

Imagem promocional do filme japonês SUKIYAKI, sobre a criação da canção de Kyu Sakamoto
Imagem promocional do filme SUKIYAKI. (Imagem: Tokyo International Film Festival / ©2026 “SUKIYAKI” Film Partners.)

A escolha como filme de abertura dá nova visibilidade a uma música cuja trajetória internacional começou há mais de seis décadas. Cantada em japonês, ela chegou ao topo da Billboard Hot 100 dos Estados Unidos em 1963 e permaneceu na primeira posição por três semanas. O longa acompanha o encontro criativo que levou à composição e às dificuldades pessoais e profissionais enfrentadas pelo trio, segundo a apresentação oficial do festival.

Uma parceria formada a partir do cinema

A colaboração entre Nakamura e Ei começou antes do sucesso de “Ue o Muite Arukō”. O pianista e compositor procurava alguém para escrever letras para uma produção cinematográfica de 1959, e conheceu Ei, então roteirista de rádio sem experiência prévia como letrista. O trabalho aproximou os dois e abriu caminho para outras canções em parceria. A história desse primeiro vínculo também aparece no filme de Zeze, conforme a apuração publicada pelo The Hollywood Reporter Japan.

Em 1961, a dupla criou “Ue o Muite Arukō”, que ganhou a voz de Sakamoto. O título pode ser traduzido como “caminho olhando para cima”. A letra descreve alguém que ergue o rosto para evitar que as lágrimas caiam; a interpretação de Sakamoto e a melodia de Nakamura combinaram tristeza e movimento sem transformar a canção em uma balada convencional. O contexto do Japão do início dos anos 1960 contribuiu para leituras diferentes da letra, mas a obra continuou aberta à experiência de cada ouvinte.

A música circulou pela televisão japonesa e se tornou popular no país antes de chegar ao mercado internacional. A página do TIFF e o The Hollywood Reporter Japan situam a composição em 1961 e destacam a participação dos três artistas na origem da gravação que cruzou fronteiras. O filme escala Junichi Okada como Nakamura, Tori Matsuzaka como Ei e Taiga Nakano como Sakamoto.

Por que “Ue o Muite Arukō” virou “Sukiyaki”

O nome usado fora do Japão não tem relação com a letra nem com o prato japonês de carne cozida. A troca ocorreu quando a canção começou a circular em outros países: “Ue o Muite Arukō” era difícil de pronunciar para parte do público anglófono, enquanto “Sukiyaki” era uma palavra japonesa mais curta e reconhecível. A origem exata da escolha é relatada de maneiras diferentes, portanto não há uma explicação única confirmada para a decisão.

Um dos caminhos para a divulgação internacional foi a versão instrumental gravada por Kenny Ball and His Jazzmen, depois de o executivo britânico Louis Benjamin ouvir a música durante uma visita ao Japão. A gravação ajudou a levar a melodia às paradas do Reino Unido em 1963. Mais tarde, a versão original de Sakamoto chegou aos Estados Unidos. A Capitol lançou o single naquele ano, e a canção alcançou o primeiro lugar da Billboard em junho.

“Estamos muito felizes por abrir o festival com este filme comovente.”

O resultado foi raro: uma gravação cantada inteiramente em japonês no topo da principal parada de singles dos Estados Unidos. A canção atravessou o idioma sem que a letra precisasse ser substituída por uma versão em inglês. Sua melodia assobiada e o arranjo facilmente reconhecível também ajudaram a fixá-la na memória de ouvintes que talvez não conhecessem o significado do título original.

Uma canção que ganhou novas interpretações

O êxito não ficou restrito à gravação de Sakamoto. Em 1981, o grupo americano A Taste of Honey lançou uma versão com outra sonoridade, aproximando a composição do R&B e do pop da época. O cover chegou ao primeiro lugar da parada de R&B da Billboard e alcançou a terceira posição da Hot 100. O desempenho mostrou que a música podia ser reinterpretada sem perder a melodia central.

Outras versões e usos em filmes e programas mantiveram “Ue o Muite Arukō” em circulação. Décadas depois, a canção voltou a ser associada a momentos coletivos no Japão, incluindo homenagens após o terremoto e tsunami de 2011 e a apresentação na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. Esses usos não substituem a história original: mostram como uma composição pode adquirir sentidos novos conforme muda o contexto.

A trajetória também ajuda a entender o peso do filme de Zeze. Em vez de tratar “Sukiyaki” apenas como uma curiosidade de parada musical, a produção reconstrói a colaboração entre três artistas e a passagem da canção do Japão para outros mercados. A apresentação do TIFF descreve o longa como uma narrativa sobre as ambições, os conflitos e os contratempos que acompanharam a criação do sucesso.

O que se sabe sobre o filme SUKIYAKI

O filme tem 155 minutos, é falado em japonês e foi selecionado para a abertura do 39º Festival Internacional de Cinema de Tóquio, realizado de 26 de outubro a 4 de novembro de 2026. A sessão integra a apresentação asiática da obra. A distribuição japonesa ficará a cargo da Toho, com estreia prevista para 25 de dezembro. Até o momento, não há data anunciada para lançamento no Brasil ou em plataformas de streaming.

Além dos três protagonistas, a produção dramatiza a criação da canção e a relação entre seus autores. O TIFF destaca a união entre Nakamura, Ei e Sakamoto como eixo da narrativa. A direção é de Takahisa Zeze e o roteiro, de Takehiko Minato. As informações divulgadas não confirmam uma janela internacional de estreia, então qualquer previsão para outros países seria especulação.

Para acompanhar outros lançamentos e histórias do cinema, veja a seção de cultura pop e a editoria de séries e TV da Revista Pixel. Fontes: comunicado do Festival Internacional de Cinema de Tóquio; ficha oficial de SUKIYAKI; The Hollywood Reporter Japan; PBS American Experience.

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